Propriedade intelectual (PI)
Direitos de PI · Cláusula de PI · Bens incorpóreos
A propriedade intelectual (PI) é o conjunto de direitos juridicamente reconhecidos sobre criações do espírito — direitos de autor, marcas, patentes, segredos comerciais e direitos conexos. Nos contratos, uma cláusula de PI atribui a titularidade da PI preexistente e de nova criação, concede ou retém licenças para o seu uso e determina quem suporta o risco caso a PI venha a violar direitos de terceiros.
O que uma cláusula de PI realmente faz
Uma cláusula de PI responde a quatro perguntas por ordem. Primeiro, PI de base: quem possuía o quê antes de o contrato começar — cada parte mantém os seus direitos preexistentes. Depois, PI desenvolvida: quem possui material criado durante a execução — por padrão o criador, mas contratos de encomenda, consultoria e SaaS frequentemente atribuem a titularidade ao cliente ou ao fornecedor. Terceiro, licenças: qual parte pode usar qual PI, em que termos (exclusiva ou não exclusiva), para que fim, em que territórios, por quanto tempo. Quarto, garantias e indemnização de PI: o fornecedor garante tipicamente que as suas entregas não violam PI de terceiros e compromete-se a defender o cliente contra alegações de violação, sob exceções padrão (modificações do cliente, combinações, uso fora da licença).
Por que importa
A PI é frequentemente o ativo individual mais valioso num negócio comercial, e a cláusula que a atribui é onde os negócios protegem ou destroem valor. Um cliente que paga por software à medida mas não obtém uma transmissão de titularidade não pode depois portar, vender ou reutilizá-lo. Um fornecedor que garante a não violação sem exceções para modificações do cliente pode ficar exposto a responsabilidade ilimitada quando o cliente abusa do produto. Errar a cláusula de PI e pode perder o produto do trabalho, a relação com o cliente, ou ambos.
Armadilhas comuns
- 1.Sem distinção entre PI de base e PI desenvolvida — código ou conhecimento preexistente é inadvertidamente arrastado para uma cláusula de transmissão.
- 2.Titularidade silenciosa ou ambígua — regras padrão (o criador mantém os direitos de autor) surpreendem clientes que presumiam possuir o trabalho à medida pelo qual pagaram.
- 3.Concessão de licença demasiado restrita — o cliente não pode usar a PI para fins razoáveis como formação interna, cópias de segurança ou uso por afiliadas.
- 4.Indemnização de PI limitada a um pequeno múltiplo das taxas — o lado negativo de uma ação por violação de patente eclipsa um teto de 12 meses de taxas e deixa o cliente exposto.
- 5.Componentes de código aberto não divulgados — o fornecedor entrega código contendo bibliotecas licenciadas GPL ou AGPL sem aviso, despoletando obrigações que o cliente nunca aceitou.
Termos relacionados
Perguntas frequentes
- Quem é o titular da PI em software desenvolvido à medida?
- O padrão depende da jurisdição mas normalmente o desenvolvedor — não o cliente — possui os direitos de autor, salvo se o contrato os transmitir expressamente. Nos EUA, a doutrina "work made for hire" atribui a titularidade de certas obras ao comitente, mas nem todo o software se qualifica; noutros lugares é exigida uma transmissão expressa por escrito. Se paga por um trabalho à medida, precisa de uma cláusula escrita de transmissão de PI, não apenas de uma fatura.
- O que é a indemnização de PI e por que importa?
- A indemnização de PI é a promessa do fornecedor de defender o cliente — e pagar danos e custos — se um terceiro alegar que as entregas do fornecedor violam os seus direitos de PI. Importa porque ações por violação de patente e direitos de autor podem custar milhões para defender mesmo quando infundadas. As indemnizações padrão de PI excluem modificações do cliente, combinações não autorizadas com outros produtos e uso fora do âmbito da licença.
- Por que são importantes as garantias de código aberto?
- Os componentes de código aberto vêm com obrigações de licença que podem ser incompatíveis com o modelo de negócios do cliente — licenças copyleft como GPL podem exigir divulgação do código-fonte para obras derivadas. Um fornecedor que inclua silenciosamente tais componentes sem divulgação transfere um ónus de conformidade ao qual o cliente nunca consentiu. Uma cláusula de PI bem redigida exige que o fornecedor enumere todos os componentes de código aberto e as licenças a que estão sujeitos.
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