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Arbitragem

Procedimento arbitral · Arbitragem comercial · Resolução alternativa de conflitos

A arbitragem é um processo privado de resolução de conflitos em que as partes submetem a sua disputa a um ou mais árbitros cuja decisão (a "sentença") é vinculativa e exequível em tribunal. É a principal alternativa ao litígio para contratos comerciais, e as sentenças internacionais são exequíveis em mais de 170 países ao abrigo da Convenção de Nova Iorque de 1958.

O que uma cláusula de arbitragem realmente faz

Uma cláusula de arbitragem retira os litígios do sistema judicial público e leva-os para um fórum privado. As partes acordam antecipadamente a sede (local jurídico) da arbitragem, a instituição (ICC, LCIA, AAA, SCC, HKIAC ou ad hoc), a língua, o número de árbitros e a forma de seleção. Uma vez accionada, o árbitro conduz o procedimento, ouve provas e emite uma sentença vinculativa. Ao contrário das decisões judiciais, as sentenças arbitrais são rotineiramente exequíveis além-fronteiras — esta é a maior razão pela qual os contratos comerciais internacionais preferem arbitragem a litígio.

Por que importa

A cláusula de arbitragem decide onde um futuro litígio será travado, quem o decidirá, em que língua e sob que regras — anos antes de alguém saber que vem aí um conflito. Uma cláusula mal redigida pode enviá-lo para uma sede desfavorável, prendê-lo num número inadequado de árbitros ou, pior, tornar a própria cláusula inexequível. Os contratos que saltam a arbitragem e recorrem ao litígio perdem a vantagem da Convenção de Nova Iorque: uma sentença dos EUA é difícil de executar na Alemanha; uma sentença ICC contra uma empresa alemã é executada lá rotineiramente.

Armadilhas comuns

  • 1.Cláusula patológica — redação vaga ("os litígios podem ser arbitrados") que os tribunais recusam-se a executar como arbitragem obrigatória.
  • 2.Sede errada — escolher uma jurisdição onde os tribunais são hostis à arbitragem ou lentos a executar sentenças.
  • 3.Descompasso instituição vs ad hoc — ad hoc (sem instituição) pode ser mais barato mas frágil sem assessoria experiente; regras institucionais acrescentam custo mas estrutura.
  • 4.Três árbitros para uma disputa pequena — os custos do tribunal triplicam e a calendarização torna-se quase impossível. Árbitro único é o padrão para disputas comerciais simples.
  • 5.Sem excepção para medidas cautelares — se pode vir a precisar de uma ordem urgente (violação de PI, quebra de confidencialidade), reserve esse direito na cláusula.

Perguntas frequentes

A arbitragem é mais barata que o litígio?
Não necessariamente. Honorários de árbitros e taxas de instituição superam muitas vezes os custos judiciais, sobretudo para um tribunal de três. A arbitragem pode ser mais rápida e mais confidencial, mas a vantagem de custo depende do valor da disputa e da jurisdição. Em disputas pequenas, o tribunal é frequentemente mais barato; em disputas transfronteiriças, a arbitragem quase sempre vence em executabilidade.
Uma sentença arbitral pode ser objecto de recurso?
Geralmente não — é uma das características definidoras da arbitragem. Os tribunais só podem anular sentenças por motivos restritos: injustiça processual, parcialidade do árbitro, sentença fora do âmbito da convenção arbitral, ou ordem pública. Erros materiais de facto ou de direito geralmente não podem ser contestados.
O que é a Convenção de Nova Iorque e por que importa?
A Convenção de 1958 sobre o Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras é o tratado que torna as sentenças arbitrais internacionais exequíveis em mais de 170 países. Os seus tribunais executam rotineiramente sentenças de sedes estrangeiras — uma enorme vantagem em relação às decisões judiciais, que dependem de tratados bilaterais de execução fragmentados.

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